17 janeiro 2006

La Marche de l'empereur (continued)

Continuação de post anterior

Assisti a versão dublada em português (a única sessão então começando). Antônio Fagundes e Patrícia Pillar até passam, afinal de contas, fazer a voz de pingüins não apresenta os problemas típicos da dublagem, como mexer os lábios sem emitir sons ou acabar com a "interpretação" dos bichinhos. Agora, quando entra o filhote em cena na voz do tal Matheus Perissé, com aquela voz-esganiçada-de-pré-adolescente-da-Zona-Sul-iniciando-a-puberdade ... putz, irritante...
Eu tava vendo a hora chegar do pingüim dizer "óôauêaí ó, xou um pingüinzinho ixperrrrto" ou começar a cantar uma música do DVD da Xuxa...

O recurso de utilizar diálogos entre os "protagonistas" ao invés de uma narração em off é interessante e, como já apontaram em outro lugar, tem aquele didatismo que só é possível quando não se sabe que se está aprendendo, o que tira o peso da categoria documentário. Mas a verdade é que achei alguns trechos bem piegas....talvez reflexo da tradução do francês ? A conferir a versão original. Me pergunto se o mesmo ocorre na voz sóbria do Morgan Freeman, mas aí só comprando o DVD.

Seja como for, é filme para se ver até sem som. Escolham uma sala com a tela bem grande, repito. As imagens são lindas, fantásticas...pode reparar quando você for ao cinema, de tanto em tanto você ouve um "Ooohhh!" em algum canto da sala. Os olhos da geração acostumada a filmes cujos cenários são quase exclusivamente feitos em computação gráfica podem legitimamente duvidar da veracidade daquelas paisagens fantasmagóricas do deserto de gelo que é a Antártica.

A pergunta feita no post anterior, por que c@&#$%* abandonaram o título original??, foi respondida neste artigo da Folha: o trailer chegou a anunciar A Marcha do Imperador, mas "os distribuidores mudaram o nome para facilitar a compreensão pelo público". Isso que é subestimar a platéia....um cartaz escrito "A Marcha do Imperador" com um pingüim bem visível, maior do que os do rótulo da cerveja...hmmmm...será que é um filme de guerra?

Libelo conservador

O filme chamou atenção da mídia também porque teria se tornado uma espécie de "libelo conservador", exaltando valores familiares, a fidelidade, a monogamia, o triunfo do amor e da vida sobre todas as adversidades....alguns até mesmo alegaram que seria evidência da chamada Teoria do Design Inteligente (já falei sobre isso antes).

Cada um, realmente, vê o que quer...pombas, são pingüins!!! No grande esquema das coisas, não são lá muito diferentes de galinhas....não é porque, ao contrário das galinhas, são fofinhos e parecem um tiozinho baixinho vestindo casaca e andando engraçado que você pode sair por aí fazendo analogias com seres humanos! Mesmo que você insista em atribuir valores humanos aos bichinhos, por que é que o comportamento deles deveria ser qualquer parâmetro para o nosso?! Como disse um amigo meu, você acha que o pingüim teve alguma escolha?

Agora, achar que o Pingüim Imperador é evidência do tal Design Inteligente é realmente engraçado. Vejamos. O bicho é de uma perfeição hidrodinâmica inversamente proporcional à sua capacidade de locomoção terrestre. Em determinada época do ano, marcha por vários quilômetros andando como um bêbado ou escorregando de barriga só para dar uma trepada. Ao contrário de todas, todas mesmo, as espécies de aves e mamíferos antárticos, fica por lá no inverno (deve gostar do escurinho) - o que não se faz por sexo....Aí a fêmea bota um ovo, passa o pacote para o macho e volta para a água para comer. O macho fica lá, com o ovo entre as pernas. Mas como as pernas são curtinhas, para evitar o contato do ovo com o chão congelado, o pingüim fica literalmente com a cloaca no gelo esperando o filhote nascer, até que a fêmea volta e dá uma golfadinha para alimentar o bichinho. A partir daí eles se revezam, marchando, pescando e esquentando o filhote, até que ele se torne grande o suficiente para se virar. Quando crescer, ao invés de pegar uma corrente marítima qualquer e ir parar em Ipanema, o pingüinzinho repetirá o ciclo.

Sério, o que há de inteligente nisso? Isso é qualquer coisa, menos inteligente. O ser superior responsável pelo design do Pingüim Imperador certamente andou matando algumas aulas. Ou, vai ver, Deus é realmente um cara muito sacana, de todas as espécies do planeta, ele escolheu se divertir às custas do coitado do Pingüim Imperador (dele e do Ornitorrinco).

É isso, vou criar a Teoria do Design Sacana e iniciar um movimento para que todas as crianças do Brasil aprendam que há alguém lá fora cujo único propósito é sacanear a gente (se bem que acho que os professores pseudo-marxistas de minha juventude já faziam isso...).

4 comentaram:

Lucia Malla disse...

Eu quero ver esse filme ainda. Soh de ter filmagens na Antarctica, jah vale a viagem. Mas associar os bichos a "ID"... eh coisa de quem quer procurar chifre em cabeca de cavalo. Gostei da sua teoria do design sacana, mas ainda prefiro o Flying Spaguetti Monster... :-D

Camburizinho disse...

Chifre em cabeça de cavalo é coisa de quem acredita em Darwin...

hehehehehe

Anônimo disse...

Nem valeu um crédito para as acompanhantes de filme que mais tagarelaram e suspiraram do que assistiram...;o)

Luisfel disse...

Design Sacana, amei!