27 junho 2006

Saudade

Meu pai tem um amigo, seu melhor amigo desde o cursinho pré-vestibular. Hoje eles estão velhinhos e todos os sábados se encontram, só para tirar sarro um do outro, contando as mesmas piadas e as mesmas histórias sempre. É a maior inveja que tenho de meu pai, uma amizade assim.

Mas eu tinha esperança...havia um amigo com quem eu me imaginava velhinho, a gente rindo das mesmas piadas e das mesmas histórias por anos...

Ontem, ele se foi.

Ah, Dió...por quê? Preciso entender para perdoar teu ato desesperado...tua dor devia ser maior ainda do que a teus amigos estão sentindo agora.

Você era tão amado, tão querido. Nossa dor só cresce ao ver que isso não foi suficiente para te impedir. Tua ausência dilacera, porque nos perguntamos se não falhamos com você, se não podíamos ter pelo menos adiado tua decisão, ficar mais tempo contigo...

Eu ia te ligar essa semana, perguntar se eu não havia esquecido uma coisa tonta no apartamento, confirmar tua visita em setembro...por que eu não liguei? Não teria te impedido, provavelmente, mas haveria uma lembrança, um momento a mais, eu poderia ouvir tua risada de novo...

Eu tenho saudade de todo o tempo futuro que você nos negou.

Mesmo sem entender, eu queria me despedir, mas não houve chance...eu precisava me despedir, Dió...abriria mão de entender, se eu pudesse apenas me despedir...

2 comentaram:

Anônimo disse...

Vivo a primeira fase do luto, suspirando quando penso nele, como faria um apaixonado desiludido.

luisfel disse...

aff, eu não consigo mais nem chorar. me secaram as lágrimas.

da despedida que não houve, do sentido que não há, da maldita viagem que me deixa isolado e distante quando o que eu mais queria era partilhar com meus amigos a dor que ora sentimos todos. =_(