27 outubro 2005

Notas de Hobart, dia 7

Não são injustificadas as queixas de poucos relatos nesta publicação, mas tenham em mente que o acesso a couriers é limitado e que a agenda do evento ocupa parte majoritária do tempo disponível.

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Melbourne, minha breve escala antes da Terra de Van Diemen, foi uma viagem abaixo pela Alameda das Lembranças, como cantaria o menestrel. Dezenas de nomes e rostos do passado vieram novamente a nossas retinas. Milady Jacquier, de quem tenho apaixonantes memórias púberes, permanece tão jovial, abalustrina e radiante como há oito anos atrás, porém casada - hoje é Lowrie.

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Dos demônios que alegadamente povoam Hobart, a capital da Terra de Van Diemen, ainda não tive sinal, salvo pelos colegas de outras nações que há muito repetidamente comparecem a esta Reunial Anual. Nossa nação não tem possibilidade de superar tais delegados da forma inconsistente com a qual assuntos relativos aos oceanos e terras austrais vêm sendo considerados. Minha modesta participação nesta Reunião tem sido um exercício valioso de atuação em tais fora, mas também uma dolorosa constatação de minhas limitações pessoais e da estrutura que represento. A improvisação não pode ser a regra, a não ser no Jazz.

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Apesar de estudar a língua bárbara que é falada com curiosas variações nasaladas nestas paragens desde a mais tenra idade, esta é minha primeira passagem em terra de língua anglo-saxã. Meu valoroso pai, que me obrigou durante a infância a sacrificar lazer em troca do estudo desta língua, estaria certamente orgulhoso em saber que minhas habilidades fonéticas têm sido aqui frequentemente elogiadas. É também entre os delegados locais que me sinto mais à vontade, sendo eles a maioria dos raros na mesma faixa etária que a minha.

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Em nome de minha saúde financeira e em respeito aos fundos do Reino que a mantém, tenho procurado conter-me ao passar em frente às muitas livrarias locais com vastos acervos sobre Viagens & Exploradores austrais. Já comprometi, no entanto, razoável parcela de meu orçamento com o tema.

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O clima é instável e venta muito, mas está mais frequentemente bom do que ruim. Os efeitos da viagem no tempo ainda se fazem sentidos, mas de forma inconstante, momentos de alerta alternados com extrema ebriedade causada por Morfeu. A cidade não inspiraria muitos poetas, mas é agradável. Se não fossem pelas montanhas em torno da vila, seria muito parecida, talvez pelas altas latitudes e pela brisa gelada, com algumas cidades que conheci no Mar do Norte, com antigas construções ao lado de linhas mais contemporâneas, claramente pré-fabricadas.

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Um aspecto curioso e certamente esclarecedor é assistir aos delegados de San Martín e da Rainha Elizabeth trocarem farpas devido à disputa de certas ilhas no Atlântico Sul. Guardarei pessoais meus comentários a respeito dessa questão, uma vez que poderiam gerar certa polêmica.

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Apesar de nossa atuação multilateral estar longe de apropriada, maculada como está pela demora nas devidas contribuições financeiras, a Reunião vem servindo para conhecer indivíduos mais experientes de outras nações, que possam vir a contribuir para uma atuação mais proveitosa em águas austrais.

2 comentaram:

Marcelo Cid disse...

Aê, muito bem!

Lucia Malla disse...

O seu relato... eh impecavel. Esse tom de papiro eh fantastico. Bom proveito por aih!