Com a consolidação dos blogs como meio de comunicação na Internet, não tardou muito para o mercado publicitário se impor também neste meio. Não estou falando dos Google Ads e afins (que não me rendem nada mesmo...alguém aí se incomoda com os anúncios?), mas do que se convencionou chamar de "marketing viral" ou "marketing de guerrilha"- coisas que parecem engraçadinhas e legais para passar adiante por mail, mas que na verdade foram criadas e divulgadas em primeiro lugar por publicitários.
Quem mais entende do tema provavelmente é Mr. Mason do
Cocadaboa, site que já foi dos mais polêmicos do Brasil, mas que anda meio de lado porque Mason justamente consolidou-se como um dos grandes guerrilheiros de marketing do Brasil e agora tem mais o que fazer do que administrar o site (seus críticos chamam ele de "traidor do movimento"). Aparentemente, ele tem uma rixa com o Antonio Tabet do
Kibe Loco, talvez o mais acessado site de humor em português, e pelo que entendi é exatamente pelo uso que este último faz de campanhas virais.
Ou vai me dizer que a piada do
"Hoy... - Ooooiiii..." não é jabá da empresa de celular detrás desta
campanha endossada pelo site? Só não é mais direto que
este post sobre uma marca de cerveja...
O Kibe tem milhares de acessos diários, tem mais é que faturar em cima mesmo. Independentemente de terem sido feitos ou chupinhados para uma campanha de marketing, são posts criativos - talvez até mais criativos por isso. Não é tudo publicidade, obviamente, mas a audiência dos posts "inocentes" é também exposta à publicidade, sem que esta seja explícita como tal. A Internet deu uma forma aos publicitários de criar e rastrear o famoso "de boca em boca".
Não estou criticando Tabet, só estou citando isso como exemplo de que, como em todo meio de comunicação de massa, tampouco há inocência e imparcialidade na blogosfera, nem mesmo em sites de humor. Mas é bom ter em mente que ao enviar um link divertido para alguém, você possivelmente está fazendo comercial de graça - você faria isso com algum panfleto na rua?
Toda a enrolação acima para levantar a seguinte hipótese conspiratória. A Peugeot não tinha que tirar do ar o
anúncio que tira sarro da Marta Suplicy, pedido do Presidente ou não. E se a retirada do anúncio, logo incluído no YouTube, e a conseqüente polêmica a respeito foram parte da campanha?? Vá lá, é um comercial engraçadinho, mas nem tanto, cairia logo no esquecimento - a polêmica gerou um burburinho muito maior do que teria o anúncio normalmente, em um público com maior poder aquisitivo, o que tem acesso à Internet.
Não duvido que tenha ocorrido o pedido do Presidente, dadas as anteriores
manchas de autoritarismo na faixa presidencial, mas aposto algumas fichas que a empresa aceitou de bom grado a oportunidade de ver seu comercial passando em todas as telas de computador do país. Fico imaginando o publicitário fazendo doce quando lhe pedem que retire a campanha do ar, para depois, sozinho na sala, fazer uma dancinha da vitória e abrir aquela garrafa de champanhe guardada...